|
Treinador reclama da abordagem dramática do futebol, critica trabalhos a curto prazo e fala do efeito da Copa de 50 sobre o futebol uruguaio
Em meio aos frequentes rumores de que estaria perto de ser demitido, das propostas recebidas para treinar outros clubes - como o Boca Juniors, da Argentina - e de eventuais protestos das arquibancadas, o técnico Jorge Fossati garante: sua relação com a torcida do Inter é de respeito “e até carinho”. Convidado do programa “Bem, Amigos!”, do SporTV, nesta segunda-feira, ao lado de seu adversário nas semifinais da Taça Libertadores da América – o são-paulino Ricardo Gomes - o treinador admitiu se sentir cobrado, mas destacou a boa convivência com os colorados.
- Seria ingrato se dissesse que minha relação com o torcedor do Inter é difícil ou complicada. No dia a dia, é bem tranquilo. Sempre tem respeito e até carinho dos torcedores, que às vezes manifestam que não estão totalmente de acordo com alguma decisão, na hora do jogo. No dia a dia, sinceramente, não posso me queixar - afirmou.
Ex-jogador do Avaí e do Coritiba, o uruguaio Fossati comentou suas expectativas para a Copa do Mundo. Ele acredita que todas as equipes sul-americanas tenham condições de surpreender na África do Sul, mas lembrou o peso carregado pela seleção de seu país até os dias atuais, por conta da conquista da Copa de 1950, sobre o Brasil, no Maracanã.
- O Uruguai continua sendo exigido por conta disso. Quando os jogadores voltaram do Mundial do México, em 1970, quando chegaram às semifinais e acabaram em quarto, teve gente que foi pro aeroporto xingar. A Copa de 50 foi uma epopéia para nós. Tive sorte de ser amigo de vários deles. Conheço a historia por dentro, como foi vivida pelos jogadores uruguaios. (...) Nenhum dono de casa perdeu uma final, até hoje. Nunca mais aconteceu. E, pelo que me falaram, o time brasileiro era extraordinário, espetacular. Isso acontece uma vez na vida.
Futebol sem drama
Fossati, que já se desentendeu com jornalistas durante entrevistas coletivas, mais de uma vez, se queixou da abordagem dramática dada ao futebol por parte da imprensa, e comentou como a instabilidade do cargo de treinador e os trabalhos realizados em curto prazo podem prejudicar uma equipe como a do Inter.
- Contra o Banfield (da Argentina, pela Libertadores), enfrentamos um time bem entrosado, que tem o mesmo treinador e o mesmo grupo há anos. Nós estávamos trabalhando juntos há quatro meses. Como se faz para treinar esse time? Corrigimos a equipe só no papo. Não dá tempo de fazer isso no campo.
Com os frequentes questionamentos relativos à escalação do time, e com a necessidade de diversificar a equipe e poupar atletas, por conta da disputa simultânea do Brasileirão e da Libertadores, o uruguaio enfatizou que não acredita que um clube grande possa trabalhar apenas com 11 titulares.
- Lá em Porto Alegre eu estou sempre dizendo isso para os jornalistas que sempre me perguntam pelos 11 titulares. Em times importantes mesmo, como o Inter e o São Paulo, pelo menos na minha concepção, isso não existe. Você tem 15, 16 jogadores, e qualquer um deles pode fazer parte dos 11 iniciais. Isso muitas vezes pode depender do momento do jogador, ou das características de quem você vai enfrentar. Mas, por exemplo, dificilmente você vai ver D’Alessandro, Andrezinho e Giuliano juntos, mas todos podem ser considerados titulares.
Perguntado sobre a possibilidade de um acerto com o ídolo colorado Rafael Sóbis, para o segundo semestre, o comandante do Inter despistou.
- Desde que eu cheguei no Inter, está se falando nisso. Foi um jogador muito importante no clube, mas nunca ouvi nada de oficial da diretoria. |